quarta-feira, 16 de maio de 2012
Professor Dutra EM DIA COM A ECONOMIA – Resumo da semana de 7 a 13/05
Postado por Professor Dutra

Caros leitores,

Na semana anterior a notícia de maior impacto se referia às mudanças nas regras da poupança. Embora continue na ordem do dia, novas mudanças no mercado brasileiro e internacional adquiriram maior importância na semana.

Em toda e qualquer economia existem variáveis de fundamental importância para a avalição de um país: a taxa do crescimento do PIB, o tamanho da taxa básica de juros, a taxa anual de inflação e a taxa de evolução da moeda local em relação a outra moeda de igual ou maior expressão.

Com relação ao PIB não há nenhuma novidade em relação ao esperado: o crescimento este ano, segundo os especialistas no assunto, deverá ficar em torno de 3% a 3,5%; quanto à nossa taxa básica de juros, a Selic, espera-se que feche o ano em torno de 7,5% a 7,75% ao ano. Mas, as variáveis que mais preocupam são a taxa de inflação e a cotação do dólar. Com relação à primeira, levamos um susto com a publicação da variação do IPCA de abril: 0,64%, o que elevou a inflação acumulada neste ano para 1,87%; caso tenhamos nos meses restantes a mesma variação do ano passado, a inflação fechará o ano com 5,1%, bem menor que a do ano passado, mas um pouco acima do nível “ideal” de 4,5% previsto pelo governo.

Em relação à inflação deste ano, o maior temor se refere à pressão sobre os preços representada pela elevação da cotação do dólar ocorrida desde o início deste ano: passou de R$ 1,70 para R$ 2,00, variação superior a 17,5%; esse aumento tem consequência negativa para nossa economia, pois, provoca, automaticamente, a elevação dos preços de todos os produtos importados como bebidas, alimentação, vestuário, matérias primas, componentes de produtos industriais, máquinas, equipamentos, autopeças, veículos e outros. Entretanto, tem consequências extremamente positivas para a economia brasileira, principalmente para o setor industrial: a consequente elevação dos preços dos produtos exportados que, além de melhorar a receita das empresas, induz ao aumento da produção e à consequente melhoria do nível de emprego. E com isso, esperamos estancar e reduzir o processo de desindustrialização iniciado nos últimos anos. Obviamente a cotação maior do dólar favorecerá também o setor exportador de commodities, como minério de ferro e de grãos.

Para finalizar, queremos deixar registrado neste espaço que também endossamos a opinião de alguns economistas de que a desvalorização da nossa moeda ocorrida ao longo deste ano é benéfica. Essa posição está coerente com a análise que fizemos na semana de 2 a 8 do mês abril passado. Embora o nosso trabalho possa pecar pela simplicidade, é indiscutível o que ele demonstra: que a nossa moeda foi a que apresentou maior valorização no mundo. Ele mostra que a cotação do dólar, na data de 3 de abril de 2012, deveria ser superior R$ 2,80, se tivesse acompanhado a valorização média das moedas dos demais países em relação ao dólar.

Até a próxima semana.

José Dutra Vieira Sobrinho

quarta-feira, 9 de maio de 2012
Professor Dutra EM DIA COM A ECONOMIA Resumo da Semana de 30/04 a 06/05
Postado por Professor Dutra

Caros,

Finalmente saiu a Medida Provisória definindo as mudanças nas regras da caderneta de poupança. De acordo com essa MP passam a existir duas cadernetas de poupança, a saber:
• Antiga: existentes até 3/05/2012, com rendimentos garantidos pela regulamentação existente até essa data, ou seja, juros de 6,17% ao ano + TR;
• Nova: abertas a partir de 4/05/2012, que vão render 70% da Selic com taxa igual ou inferior a 8,5%; para Selic maior que 8,5%, o rendimento anual será de 6,17% de juros mais TR.
Para a sociedade de modo geral, população e profissionais da imprensa, as regras ainda estão muito confusas. Mas, de qualquer forma, como constatamos, a poupança continuará bastante competitiva em relação ao seu principal concorrente, os fundos de renda fixa. Com base em projeções que fizemos para Selic de 8,5% ou menos, a rentabilidade da poupança somente perderá dos fundos de investimentos se as taxas de administração cobradas pelos bancos forem de até 1% ao ano; e essas perdas acontecem em todas as faixas de tributação do Imposto de renda (alíquotas de 15% a 22,5%), como no mostra o quadro a seguir.

QUADRO POUPANÇA x FUNDO DE INVESTIMENTO EM RENDA FIXA

Até a próxima semana.

José Dutra Vieira Sobrinho

sexta-feira, 27 de abril de 2012
Professor Dutra EM DIA COM A ECONOMIA Resumo da Semana de 16 a 22/04
Postado por Professor Dutra

Caros leitores,

Nesta semana vamos continuar repercutindo o assunto taxa de juros, que tem sido a preocupação constante por parte da imprensa. E a indagação mais frequente é se realmente as taxas foram reduzidas. Particularmente não tenho dúvidas de que realmente caíram mas o importante é saber qual a amplitude dessa queda. Creio que a maneira mais adequada para se avaliar essa redução é comparar, no final deste mês, a média das taxas praticadas nas diversas modalidade, com as respectivas média praticada no final do mês anterior. E talvez o Banco Central seja o único que possa informar as taxas médias efetivamente praticadas nesses períodos. Vamos aguardar para conferir! De qualquer maneira ninguém deve se iludir: as taxa médias praticadas na segunda quinzena deste mês de abril vão estar muito mais próximas da máxima do que da mínima. Assim no caso de financiamento de veículos “zero”, cujas taxas anunciadas variam normalmente entre 0,98% a 2%, acredito que a média apurada deva ficar em torno de 1,6% a 1,7% ao mês.

Outra questão que continua na ordem do dia diz respeito à provável redução dos rendimentos da caderneta de poupança. Segundo informações divulgadas pela imprensa, técnicos do Banco Central e do Ministério da Fazenda estão preparando um Projeto de Lei a ser apresentado ao Congresso Nacional para disciplinar o critério de remuneração. Também neste, teremos que aguardar.

Até a próxima semana.

José Dutra Vieira Sobrinho

quarta-feira, 18 de abril de 2012
Professor Dutra EM DIA COM A ECONOMIA Resumo da Semana de 9 a 15/04
Postado por Professor Dutra

Por uma questão de prioridade, nesta semana ainda não trataremos do assunto exportação conforme prometido. Vamos comentar o assunto mais discutido na semana passada e que diz respeito às reduções na taxas de juros cobradas nas operações de empréstimos e financiamentos. Como é de conhecimento geral, o Ministério da Fazenda determinou que os bancos estatais, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, reduzissem as taxas de juros praticadas nas citadas modalidades. Com essa medida, o governo obviamente pretende forçar os bancos privados a seguirem o mesmo caminho.
Os grandes vilões do mercado financeiro brasileiro no que se refere a taxas elevadas de juros são as operações com cartões de crédito e cheques especiais. Não se tem notícia de outro país em desenvolvimento com taxas tão elevadas. Em trabalho de pesquisa que realizamos no final de 2011 (vide tabela abaixo) foi constatado que Brasil cobrava, segundo a ANEFAC, uma taxa média de 237,9% ao ano (equivalente a 10,68% ao mês) nas operações com cartões de crédito; o segundo país com maior taxa, a Argentina, cobrava no máximo 50% ao ano.
Com o objetivo de caracterizar as condições econômicas dos países componentes da nossa amostragem, transcrevemos no quadro a seguir, além das taxas anuais dos cartões de crédito, também as taxas básicas de juros, de inflação e as respectivas taxas reais.
Essa tabela evidencia que as taxas de juros praticadas no Brasil com cartões de crédito são realmente exageradas; caso a média anual dessas taxas fosse a metade, ou seja, de 119% ao ano (equivalente a 6,75% ao mês) ainda seria maior que o dobro da segunda colocada.

Com relação às taxas reais de juros (taxa básica excluída a inflação do período), o nosso país continua apresentando a maior taxa real do mundo. Salvo em alguns poucos e curtos períodos de tempo, o Brasil vem liderando o ranking mundial há pelo menos 25 anos.

Quanto às taxas cobradas nas operações com cheques especiais, a média praticada antes das medidas anunciadas pelo Ministério da Fazenda era superior a 8% ao mês (equivalente a 151,8% ao ano).

Para as operações com empréstimos pessoais e financiamentos de veículos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram taxas mensais que vão de 0,98% até 5% ou mais. Para que nosso leitor tenha uma idéia do quanto representa em termos de valor mensal e total, elaboramos a tabela supondo um valor emprestado (ou financiado) de R$ 1.000,00, a ser amortizado de 12 a 60 parcelas mensais iguais, e taxas de juros variando de 1% até 5% ao mês.

Observações:
1 – A tabela foi construída para R$ 1.000,00 financiado ou emprestado; para um valor financiado de R$ 2.000,00 basta multiplicar por 2 os valores contidos na tabela; e para 25.000,00, multiplicar por 25 e assim por diante;
2 – Não estamos considerando o custo relativo ao IOF.
É importante o leitor atentar para os efeitos das taxas de juros e dos prazos.
1 – Efeitos do tamanho das taxas de juros:
Para um financiamento em 36 prestações mensais iguais a uma taxa de juros de 2% ao mês, o valor das prestações é de R$ 39,23; caso a taxa seja de 5% ao mês, o valor das prestações para o mesmo número de prestações se eleva para R$ 60,43, ou seja, 54% maior. Caso o financiamento seja feito em 60 parcelas mensais, com juros de 2% e 5%, as prestações são respectivamente de R$ R$ 28,77 e R$ 52,83, ou seja, 83,6% maior.
2 – Efeitos dos prazos:
Para um crédito pessoal a ser amortizado em 12 prestações iguais a uma taxa de 5% ao mês, o total pago será de R$ 1.353,96; caso o prazo seja de 60 meses, o total será de R$ 3.169,80, ou seja, 134% maior.

Em síntese, sobre o assunto em questão, podemos concluir: ou o Brasil está certo e o mundo errado, ou vice-versa. Precisamos refletir sobre isso!

Até a próxima semana.

Prof. José Dutra Vieira Sobrinho